Flores de estufa com diploma
Está calor em Portugal, em Junho. Alguém avisou alguém?
Aparentemente não, porque o que se vê é um país em polvorosa. A DGS ativou o nível 1 de contingência para o calor, o que na prática quer dizer que há mais burocratas a receber salário (pago por nós) para nos dizer para beber água e não andar ao Sol. Se a tua avózinha já morreu, podes sempre pedir para ser adoptado pela DGS. No Inverno dir-te-ão para te agasalhares. Não esperes é que te levem uma canjinha se estiveres doente. Serão sempre supositórios.
O ministro da Administração Interna andou a falar em "medidas drásticas" e em "condições terríveis" — a propósito de algo que, ao longo de milénios, os portugueses chamavam simplesmente de Verão.
Mas o melhor está nas escolas. O Sindicato dos Professores - que estão desejosos de poder ir para a praia - exigiu o reagendamento dos exames nacionais de Matemática, História, Física e Química, e Filosofia. Pediu também ao ministro da Educação a antecipação do fim do ano letivo. Os diretores de escola entraram no coro: alguns defendem encerramento total, outros aulas no exterior — mas para isso era preciso ter árvores, e muitas escolas não têm árvores. Pois. Cortaram-nas, provavelmente por causa de alguma diretiva europeia de segurança.
A França já fechou escolas. O Luxemburgo também. O MECI foi questionado sobre o reagendamento de exames e optou por não responder. Pelo menos alguém tem vergonha. Ou então dava muito trabalho, estar a mudar horários.
Agora, uma pergunta honesta: o que faziam os avós desta gente em Julho com 40 graus? Trabalhavam. Os espanhóis inventaram a sesta — adaptação inteligente ao clima, custo zero, sem decreto ministerial. Os bosquímanos do Kalahari, que vivem com temperaturas que fariam desmaiar qualquer especialista do Lancet, não têm plano de contingência nem nível amarelo. Mas têm sombra e sentido comum.
Uma "especialista" foi à Euronews alertar para a "lacuna estrutural" da Europa face ao calor extremo, notando que o sul europeu desenvolveu ao longo dos anos hábitos para lidar com as altas temperaturas — como sestas e persianas — mas que isso é apenas "adaptação comportamental". A mulher descobriu que os humanos se adaptam ao ambiente e apresentou isso como um problema. Como é que pessoas se atrevem a adaptar-se sozinhas, sem a “ajuda” do Governo, e sem gastar milhões em estudos científicos? Deviam ser multadas!
E depois há os números. O relatório Lancet Countdown de 2026 garante que Portugal e Espanha são os países mais vulneráveis ao calor extremo da Europa. E chegaram a esta conclusão com base em quê? Em 30, 40 anos de registos. Num planeta com 4 mil milhões de anos de história climática, em que houve eras de gelo e períodos em que crocodilos viviam no Ártico, e não havia carros a diesel, alguém aparece na televisão com cara séria a tirar conclusões sobre o clima com base numa amostra estatística mais pequena que o ponto final no fim desta frase.
O problema não é o calor. O problema é que construímos uma civilização tão artificialmente controlada, tão desligada do mundo real, que já não sabemos o que é estar ao sol. E depois temos uma indústria jornalística que sabe que a notícia não é o cão morder o homem, mas o contrário. E portanto, uma criança morre dentro de um carro em pleno agosto e os títulos dizem que foi "vítima do calor" — não que vítima de abandono, e os culpados são os pais. Um mundo onde se interrompe um jogo do Mundial durante duas horas porque vai chover. Onde não se lançam balões na noite de São João porque talvez, quem sabe, se calhar, possa haver fogo — mas o fogo de artifício vai na mesma, porque os contratos com os amigalhaços estão feitos.
Deixámos que nos controlassem na fraude que foi o COVID. Aceitámos tudo. Confinamentos, certificados, fechos de escola, toques de recolher, e depois perguntamo-nos como é que ficámos assim. É simples: quando o Estado entra pela porta com uma "medida de emergência", raramente sai pela janela. Fica. Instala-se. Arranja orçamento. Nada é mais permanente que uma medida temporária do Governo.
E no próximo Verão — porque vai haver próximo Verão, e vai estar quente, como sempre esteve — voltam. Com novos níveis de contingência, novas diretivas, novos especialistas com novos relatórios. E todos os partidos presentes na Assembleia da República vão concordar, porque nenhum deles quer mesmo é baixar impostos. O resto é teatro.
Esta cambada de parasitas inúteis só funciona a parasitar, e a consumir o hospedeiro. O hospedeiro és tu. O desparasitante é o partidolibertario.pt



