Greve Geral - O dia da Infâmia Absurda
O Teatro Kafkiano do Absurdistão que são os Serviços Públicos em Portugal
Hoje é dia de greve geral. Ou seja, hoje é como qualquer outro dia — mas com piquetes de greve
Vamos ser honestos: quem está em greve hoje? Professores do Estado. Funcionários do Estado. Trabalhadores dos transportes públicos — do Estado. Médicos e enfermeiros dos hospitais — do Estado.
Ou seja:
o sector que parou hoje o país é aquele que já vive às custas do país que parou, e que amanhã vai ter que produzir a dobrar para compensar o dia de menos produtividade hoje.
E quais são as reivindicações dos grevistas? Melhores salários para os trabalhadores privados. Mais direitos para quem trabalha nas empresas. Proteção do poder de compra de toda a gente.
Deixem-me ver então se percebi bem:
Os empregados do Estado fizeram greve para defender os direitos dos empregados privados.
É como se o teu vizinho — que te rouba electricidade com uma puxada ilegal — fizesse uma manifestação à porta de casa dele a exigir à EDP que te baixe a ti os preços da electricidade.
Solidariedade, dizem eles. Palhaçada e feriado extra, dizemos nós.
No fim das contas, está tudo igual. Os serviços do Estado apenas funcionam um bocadinho pior do que é habitual. As cirurgias são canceladas, os miúdos ficaram sem escola (apenas desta vez não foi porque os professores têm “reuniões”), os transportes chegaram atrasados, e a fila para a Repartição de Finanças estará maior do que o habitual. Nada muda, mas há piquetes de greve a tornar tudo pior.
A Pergunta que Ninguém Faz
Se o problema é que os trabalhadores privados ganham pouco e têm poucos direitos... e se os do Estado ganham mais, trabalham menos, não podem ser despedidos, e ainda assim fazem greve...
...talvez o problema seja ter Estado a mais, não a menos.
Rothbard dizia que o Estado é a única instituição que obtém os seus rendimentos pela coerção. Não convence, não troca, não produz — cobra impostos. E depois usa esse dinheiro para pagar a funcionários que, no dia em que estão insatisfeitos, paralisam os serviços que tu és obrigado a pagar mas não podes deixar de usar.
Tens alternativa à escola pública se ela fechar? Tens alternativa ao hospital público se estiver em greve? Tens alternativa ao metro se não circular?
Não tens.
E é exactamente isso que eles sabem.
A Solução Óbvia que Assusta Toda a Gente
Privatiza.
Não é uma palavra feia. É uma palavra que significa: deixa as pessoas decidirem onde gastam o seu dinheiro.
Se o hospital fosse privado e fizesse greve, ou precisasses de esperar 6 meses por uma consulta, abriam outros (como abrem, por isso mesmo). Se a escola fosse privada e fechasse, apareciam outras (como já aparecem, por isso mesmo). Se o metro parasse, surgiam alternativas (se não fosse preciso uma concessão do Estado para “operar”). Se os comboios funcionam mal, rapidamente irá aparecer uma empresa de autocarros (ver Flixbus) que será mais rápido, mais flexível e muito mais barato que as opções do Estado.
A história é sempre a mesma: Tudo o que o Estado faz, o mercado privado fará melhor. E sempre mais barato. E na medida exacta do que o cliente quer. Ninguém vai construir um TGV só porque tem dinheiro para esbanjar. Só será construído se houver possibilidade de lucro (outra palavra feia na linguagem socialista).
O mercado — esse bicho-papão que os sindicalistas adoram detestar — tem uma característica curiosa: não tolera monopólios maus durante muito tempo. Só os monopólios do Estado duram para sempre, porque são sustentados pela força.
Hayek chamou-lhe “a ilusão fatal”: a crença de que um grupo de pessoas sentadas numa sala consegue gerir melhor a vida de milhões do que as próprias decisões livres desses milhões. Spoiler: não conseguem. Nunca conseguiram.
O Dia Sem Trabalhar
Há uma verdade incómoda que toda a gente sente mas poucos dizem em voz alta:
Uma parte significativa das greves no sector público não é protesto. É feriado.
É um dia em casa, com consciência tranquila, com justificação moral pronta, e com o salário garantido no fim do mês — porque, afinal, quem despede um grevista do Estado?
Enquanto isso, o pequeno empresário que abriu o café às 7 da manhã, que paga a TSU, que paga o IRC, que paga o IVA, que paga tudo o que o Estado inventa para lhe tirar — esse não faz greve. Esse não pode.
Se ele fechar, perde tudo. Não tem sindicato. Não tem Estado. Tem mercado.
Conclusão: O Problema não é a Greve
O problema é o sistema que a torna possível e inútil ao mesmo tempo.
Inútil para ti, que ficaste sem metro e sem médico.
Possível para eles, que não arriscam nada.
Enquanto o Estado mantiver os seus tentáculos em tudo — educação, saúde, transportes, habitação — continuarás reféns deste circo bienal onde se finge que se luta por ti, e no fundo se luta por eles.
A solução não está em mais leis laborais. Está em menos Estado, e mais liberdade, em deixar que as pessoas construam as suas vidas sem precisar de pedir autorização a Lisboa.
Se estás farto deste teatro e achas que Portugal merecia um partido que falasse verdade sem ter medo de perder votos —
Assina em partidolibertario.pt e ajuda a criar o Partido Libertário em Portugal.
Porque alguém tem que dizer o que toda a gente pensa.




