O Melhor Restaurante de Portugal Não Aceita Multibanco
Toda a costa portuguesa está ocupada por restaurantes com QR code, menu em inglês e camarão congelado do Bangladesh. Toda? Não. Uma pequena aldeia piscatória povoada por irredutiveis teimosos continua a resistir ao invasor. Ou pelo menos, ao IVA.
Há um sítio — e juro que existe, vou lá religiosamente há mais de 10 anos ininterruptos— onde o multibanco está avariado. Sempre. Há anos. Uma avaria que resiste a todas as tentativas de reparação conhecidas pela ciência moderna, tal como o javali resiste ao Asterix.
O dono não tem Instagram nem TikTok. Não tem Google Maps. Não tem NIF afixado na porta. Não aceita reservas depois das 12h30. É por ordem de chegada. E é mesmo melhor chegares bastante antes das 12h30. Está sempre cheio.
Porquê? Porque tem é um grelhador com mais história do que a maioria dos partidos portugueses, e sabe grelhar atum, sardinhas, peixe espada preto, salmão e todos os outros peixes de uma forma que devia ser classificada como património imaterial da humanidade.
Peixe grelhado à discrição, batata cozida, açorda, salada mista, tremoços e azeitonas, mais bebida. Doze euros. Doze euros e sais de lá com aquela sensação rara de que o mundo afinal faz sentido. O atum chega à mesa ainda a chorar por dentro, com aquela crosta tostada que só aparece quando alguém sabe mesmo o que está a fazer — e não está a olhar para as encomendas que caem via Uber Eats enquanto cozinha.
Agora a parte que chateia a Autoridade Tributária: esse dinheiro não passa pela máquina. Não gera IVA. Não alimenta o aparelho. E o resultado? O cozinheiro ganha mais. Tu pagas menos. O peixe está no ponto. Toda a gente feliz — excepto o Estado, que não pescou, não comprou, não grelhou, não pôs a mesa, e se calhar por isso mesmo, neste caso não leva a fatiazinha do costume: 23%, para te deixarmos manter a porta aberta.
Mises explicou isto há cem anos: cada intervenção do Estado na economia gera distorções que obrigam a novas intervenções, numa espiral que só termina no controlo total — ou no multibanco avariado. Alguns portugueses escolheram sabiamente.
Não estou aqui a dizer que deves pagar em dinheiro para fugir ao fisco. Isso seria ilegal. Estou a dizer que quando o Estado te rouba metade do que ganhas com a cara lavada e a consciência tranquila, as pessoas ficam inevitavelmente criativas. E às vezes essa criatividade tem guelras, escamas, e doze euros em contado.
Portugal está cheio destes lugares. São resistências silenciosas. Pequeníssimas aldeias onde a liberdade ainda tem sabor — neste caso, a atum grelhado com um fio de azeite e a dignidade de quem nunca pediu licença a ninguém para trabalhar.
São também a prova de que as pessoas, deixadas em paz, sem formulários, sem taxas, sem inspeções sanitárias de funcionários que nunca cozinharam nada na vida — sabem perfeitamente o que estão a fazer.
O Estado é o único organismo vivo que cresce à medida que falha. Todos os partidos, sem excepção, sejam de esquerda ou dessa coisa que em Portugal chamam “direita” mas que na prática é socialismo com gravatas made in China, partilham o mesmo vício: nunca, em nenhuma circunstância, em nenhuma proposta de orçamento, baixam os impostos a sério. Nunca. Porque o poder alimenta-se de impostos, e nenhum deles quer passar fome.
Se já estás farto de pagar para que uma classe de pessoas que nunca grelhou um atum na vida decida por ti, vai a partidolibertario.pt. Estamos a recolher assinaturas para criar o único partido que tem uma proposta séria: deixar-te em paz.
Um conceito radical.




