Em Maio de 1801, as tropas espanholas de Manuel Godoy, de forma quase não provocada invadiram Portugal. Portugal tinha sido aliado de Espanha contra os franceses 6 anos antes, na Campanha do Roussillon, e foi atraiçoado pelo mesmo Manuel Godoy, a quem D. João havia atribuído o título de conde de Évora-Monte, para este se aliar a Napoleão, e tentar invadir Portugal.
Nesta invasão foi conquistada, entre outras, a praça-forte de Olivença, que pertencia a Portugal desde 1297.
Espanha tinha-se aliado ao seu inimigo de há 6 anos atrás, a França de Napoleão, para atacar o seu aliado de há 6 anos atrás, Portugal.
Portugal, incapaz de se defender sozinho, pediu ajuda ao seu aliado Inglaterra, que se aliou a Portugal porque estava em guerra com França. Caso Portugal tivesse capitulado e aceite os termos franceses, veria certamente o seu aliado Inglaterra declarar guerra e tomar as suas colónias ultramarinas, nomeadamente o Brasil, a única que valia alguma coisa na altura.
Como entretanto, em 1814, a Inglaterra (mais a Rússia, a Áustria, a Suécia e a Prússia) derrotou a França na Batalha de Leipzig, os espanhóis, aliados dos franceses, foram obrigados a devolver os territórios conquistados, através do Tratado de Paris (e posteriormente o Tratado de Viena de 1817).
Espanha assumiu em 1817 que iria devolver Olivença a Portugal, mas como Portugal invadiu o Uruguai, em 1821, Espanha disse que assim já não brincava, e como tal não voltou a devolver este território a Portugal, mesmo tendo-se comprometido a tal.
Sendo a História da invasão dos territórios do Donbas pela Rússia em 2022 tão ou ainda mais complicada que a história da invasão espanhola dos territórios portugueses do Alentejo, porque devemos enviar tropas para defender ou recuperar um território que não é nosso, nunca foi nosso, e nunca será nosso, de um país que nunca foi nosso aliado, quando temos, aqui bem ao lado, um pedaço de terra que é Português desde 1297, e que os espanhóis assumiram que iriam devolver e nunca o fizeram?
Se sangue português tiver que ser derramado, que seja pela restituição de territórios portugueses a Portugal, não pela ilusória defesa de terras que não são nossas, nem são de nossos aliados.
Olivença é nossa, e continuará a ser nossa!!



