Se não fosse o Estado, quem iria entregar jornais a quem não os quer ler?
Os teus impostos servem para tudo, até para entregar jornais.
Imagina o seguinte cenário: tens uma mercearia. As pessoas do teu bairro deixaram de comprar cenouras. As cenouras estão a apodrecer na prateleira. O que fazes? Se és uma pessoa normal, deixas de comprar cenouras. Se és o Governo português, gastas 3 milhões de euros dos contribuintes para contratar alguém que leve as cenouras a casa de quem já não as quer.
É exactamente isto que está a acontecer.
O Governo lançou um concurso público internacional de 3 milhões de euros para assegurar a distribuição diária de jornais em papel nos territórios de baixa densidade — durante três anos, ao ritmo de 1 milhão por ano.
Não estou a brincar: um milhão de euros por ano, completamente esbanjados, para entregar notícias em papel a pessoas que, veja-se a ironia, já leram as notícias no telemóvel antes do distribuidor acordar.
O Governo chama-lhes "desertos noticiosos" com ar de quem descobriu uma tragédia humanitária. A justificação oficial é travar a criação de áreas sem acesso regular a jornais, associando esta intervenção à quebra contínua das vendas em banca e à diminuição da população em várias regiões do interior.
Tradução para português simples: as pessoas não querem comprar jornais em papel. O mercado deu o recado. As empresas de distribuição perceberam. Só o Estado não percebeu — ou percebeu e não lhe interessa perceber, porque o que está realmente em jogo não é informar ninguém.
Hayek chamava a isto o problema do conhecimento disperso: nenhum planeador central consegue saber melhor do que milhões de decisões individuais o que as pessoas realmente querem.
Quando a Senhora Filomena de Trás-os-Montes deixou de comprar o Correio da Manhã às 7h da manhã, ela estava a comunicar algo. O Estado tapou os ouvidos e foi-lhe roubar dinheiro à carteira, para subsidiar algo que ela já tinha deixado claro que não queria. As pessoas não têm falta de jornais. Simplesmente não os querem comprar.
A imprensa subsidiada pelo Estado será uma imprensa livre?
Há aqui uma questão que ninguém quer colocar em voz alta: o futuro adjudicatário terá de garantir o transporte "não discriminatório" de diferentes jornais. Que bonito. Mas quem paga ao gaiteiro, escolhe a música — e toda a gente sabe isso.
Quando a imprensa depende do dinheiro do Estado para chegar ao leitor, que tipo de jornalismo é que achas que vais encontrar dentro desse jornal? Perguntas difíceis ao poder? Críticas ao orçamento? Investigação sobre desperdício público?
Não sejas ingénuo.
O Governo está a subsidiar a distribuição de jornais, para justificar as tiragens, que irão justificar os subsídios às empresas que publicam os jornais. E em troca, essas empresas irão ser simpáticas para o Governo, e nunca criticar ou investigar o Governo.
Existe uma verdade incómoda que poucos ousam dizer: há poderes neste mundo que não querem cidadãos informados — querem cidadãos entretidos, dependentes, e convictos de que precisam do Estado para tudo, até para ler as notícias de ontem. A informação controlada é sempre informação ao serviço de quem controla. Sempre foi assim. Sempre será.
O dinheiro não cai do céu (mesmo que o Governo faça de conta que cai)
O apoio financeiro foi calculado com base nos custos da actividade, diferenças territoriais e evolução de despesas como combustíveis e salários, abrangendo 96 municípios.
Muito bem calculado. Calcularam tudo — excepto de onde vem o dinheiro. Vem de ti. Vem do teu IRS, do teu IVA, do teu IMI, dos teus descontos. E vai para subsidiar um modelo de negócio que o mercado já sentenciou à morte.
Rothbard dizia que o Estado é a grande ficção através da qual toda a gente tenta viver à custa de toda a gente. Aqui temos a versão cultural: o contribuinte urbano, que já não lê jornais em papel, a pagar para que o contribuinte rural, que também já não lê jornais em papel, tenha o jornal à porta. Todos irão continuar a não comprar jornais. Mas pelo menos agora, durante 3 anos as vendas de papel higiénico vão cair, nestas zonas.
Chega de pagar a conta de toda a gente
Se há pessoas no interior que querem jornais em papel — óptimo. Que paguem por eles. Façam download da versão em PDF e imprimam. Se não há procura suficiente para tornar o negócio viável, então o negócio não é viável. Não é uma catástrofe. É o mercado a funcionar.
O que é uma catástrofe é um Estado que gasta o nosso dinheiro a ressuscitar indústrias moribundas enquanto te cobra 48% de IRS, 23% de IVA, contribuições, taxas, selos e mais uma dúzia de formas criativas de te esvaziar os bolsos, para andar a passear papel de um lado para o outro do país (vão ser transportados em carrinhas eléctricas, espero?)
Estás farto disto? Há uma alternativa. Em Portugal está a nascer o único partido que não quer o teu dinheiro para distribuir jornais, subsidiar empresas amigas, ou financiar o que quer que seja que não pediste. Assina a petição e ajuda a criar o Partido Libertário. O teu primeiro acto de desobediência civilizada começa em partidolibertario.pt.



