Sugestões de Viagens para a Greve Geral
Um Guia prático para o Grevista que quer maximizar as suas férias.
Amanhã, dia 3 de junho, é Greve Geral. Ninguém sabe bem o que estão a protestar (pacote laboral? direitos? sei lá, a malta reclama sempre de qualquer coisa), mas o que conta é o essencial — não vais trabalhar.
E ainda por cima, calha lindamente coladinho ao feriado de Corpo de Deus na quinta-feira. Se ficares em teletrabalho na sexta, nem precisas de gastar um dia de férias, e ficas 5 dias sem trabalhar. Perdão, 5 dias sem ir ao escritório.
Na 6ª feira liga o computador, abre o Teams, pões um status “em reunião sindical” e… pronto. Ninguém vai confirmar. Até podes besuntar o cabo da internet com chouriço de porco preto, e pode ser que o teu cão te roa o cabo, e ficas justificadamente sem internet em casa. Azar do patrão. Problemas técnicos acontecem, não é verdade?
Assim poupas o dia de férias, ficas com a consciência tranquila e ainda ganhas cinco dias seguidos sem dar o corpo ao manifesto: quarta (greve), quinta (feriado), sexta (teletrabalho + cão sabotador), sábado e domingo.
Se a Troika nos roubou os feriados, a CGTP devolve-os. Obrigado, camaradas.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, recebe cerca de 4 mil euros como deputado e fica só com 900, o resto entrega ao partido, como qualquer prosélito bem comportado. Para quem tem uma crença religiosa, deitar dinheiro fora desta maneira não deve ser difícil. Mas tu, camarada leitor, vais perder um dia de ordenado por participar na greve. O sindicato não te vai devolver o dinheiro. És tu que financias a “luta” do sindicato. Vais de férias, mas pagas por elas.
Enquanto os sindicalistas obrigam o proletariado a parar (porque a liberdade individual é “burguesa” e “anti-solidária”), o libertário observa com profundo desprezo esta comédia.
Os sindicatos são simplesmente a forma autorizada pelo Estado de protesto dos trabalhadores. Servem os interesses do Estado e dos partidos que os sustentam (principalmente PCP e BE), não os teus. Um sindicato que demora meses a negociar e não chega a lado nenhum é simplesmente incompetente. E quem paga a factura da incompetência? Tu, que perdes um dia de ordenado.
Será que o que está em causa é assim tão grave que justifica tanta intransigência? Ou será que o objetivo nunca foi chegar a acordo, mas sim manter o teatro, a quota e o poder? Isto não é luta dos trabalhadores: é cartelização coerciva.
Os sindicatos usam o poder do Estado para te proibir de trabalhar, negociar livremente ou fazer um contrato voluntário com o teu patrão. Porque isso lhes dá poder. Aliás, é o único poder que têm. Os trabalhadores trocam o chefe privado (que tem todo o interesse em que o funcionário esteja satisfeito, para ser produtivo) por um chefe com cartão do partido, o salário explorado pela quota obrigatória e uma “luta” que é a luta que o Partido ditar, de acordo com a ideologia escrita por um preguiçoso, invejoso, porco e bêbedo, há mais de 100 anos, e que todos se recusam a aceitar que não funciona.
A verdadeira liberdade é simples: direito de trabalhar quando quiseres, direito de não participar em greves sem ser ameaçado ou chamado de traidor pelos piquetes, e direito de ficar com 100% do teu ordenado sem financiar parasitas burocráticos. Sonha (e age) num Portugal sem Estado a regular contratos, sem sindicatos com monopólio da representação e sem leis que te transformam em peão de greves que nem sabes porque é que existem.
No entanto, se preferes a tal ponte de 5 dias, aqui ficam umas sugestões de como aproveitar o dia de férias patrocinado pelo teu ordenado:
Cova do Vapor ou Afurada – Aluga um quarto ou casinha de pescador no Airbnb mais barato (ou pede a um amigo que conheça alguém). Come peixe grelhado na praia, bebe uma imperial bem fresca e um pires de caracóis. Sol, cheiro a mar e zero luxo. Perfeito para quem está pobre mas quer fingir que está de férias.
Matosinhos ou Aguda – Apanha o metro, leva a tenda de campismo ou dorme em casa de familiar. Come sardinha ou pataniscas na rua, bebe uns copos de vinho verde e passa o dia a ver os barcos. Turismo low-cost nível hard.
Lisboa de bolso – Fica em casa ou em casa de alguém no Miratejo ou na Cova da Moura e faz “day trips” de autocarro. Come um bifana com imperial na tasca, vai a um miradouro e volta cedo. Zero gastos com dormida.
Férias na casa dos pais ou do cunhado – O destino mais económico de todos. Comida quente, cama feita e zero despesa. Leva só uma garrafa de vinho e diz que estás “em retiro estratégico da luta de classes”.
E não te esqueças. Se ficares em teletrabalho na 6ª feira:
Desliga as notificações do trabalho.
Não leves o portátil (a menos que queiras fingir que estás produtivo).
Prepara a cara de “foi uma greve muito consciente” para segunda-feira.
No fundo, isto é só mais uma forma portuguesa de transformar protestos em ponte. O povo unido junta os feriados… mas o libertário prefere desunir-se de toda a coerção estatal e sindical.
Aproveita, descansa, come bem e volta na segunda. O País vai estar mudado, porque vai ser segunda feira.
A farsa continua, sindicatos para a rua!
Boa Greve. Boa ponte. Boa vida.
Apenas os Libertários não alinham na farsa das greves.
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